Já esmurrei joelhos, dei cabeçadas em portas, cortei-me, e nunca doeu tanto...
Já espetei espinhos, fui mordida por bichos ou atacada por plantas bravas, e nunca doeu tanto...
Já caí, pontapeei pedras, chapei na água e nunca doeu tanto...
Já tirei dentes, torci tornozelos, tive unhas encravadas, e nunca doeu tanto...
Já estive enjoada, vomitei, e nunca doeu tanto...
Já tive enxaquecas, dores de barriga, dores nos músculos, mas nunca doeu tanto...
Como esta dor fininha no coração. Que preenche todos os espaços do meu corpo que não estão já preenchidos por outra coisa qualquer. É uma dor persistente, como se alguém que há algum tempo me espetou um arame no coração, passasse por lá de vez em quando para avivar a ferida. Para evitar que esta cicatrize, e para que eu me lembre que ela está lá. E dói tanto... Dói tanto querer tudo de toda a gente. Dói tanto sentir as coisas de forma tão intensa... Dói ser assim... E o pior é que não sei ser de outro jeito... Simplesmente não sei... Quero tudo. Quero sentir tudo. Quero querer tudo. E quero ser de um jeito que não queira. Quero poder dizer que estou bem, e estar mesmo. E às vezes não posso. E quero poder. Quero que não doa mais. Porque já doeu demais. Quero apenas que passe. Ou que continue, mas que não doa deste jeito. Dói de um jeito...
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
domingo, 1 de junho de 2014
Apetece-me
Apetece-me sair, correr no meio do campo, atirar areia para os olhos, construir castelos de lama e bolos com pozinhos de terra. Apetece-me pintar sem medida, sujar a roupa, fazer bolas de sabão, andar descalça no chão, comer um gelado e lambuzar a cara. Apetece-me aprender a ler, a escrever, aprender as cores, fazer jogos no tapete do infantário. Apetece-me andar de baloiço, brincar com bonecas, despentear as tranças que a minha avó me fez de manhã. Apetece-me fazer birra porque não gosto da sopa, apetece-me dormir a sesta no final de almoço com o meu avô. Apetece-me fazer bem-me-quer com qualquer uma flor que apanho no campo. Apetece-me desenhar a minha casa, um sol gigante no canto da folha, daqueles com boca, uma árvore pequenina e umas flores gigantes, uns pássaros em V e a minha família sorridente e de mão dada. Apetece-me transpirar de tanto brincar, jogar à bola com os rapazes, fazer espantalhos para o Carnaval. Apetece-me vestir aquelas roupas lindas e pequeninas. Apetece-me colo. Apetece-me não saber o que é a vida. Apetece-me olhar à minha volta e tudo me parecer estranho. Apetece-me rir quando choro e chorar de tanto rir. Apetece-me pronunciar mal as palavras e ser corrigida com um sorriso no rosto. Apetece-me não entender quando uma criança é diferente de mim. Apetece-me fazer asneiras e fazer cara de anjinho pra ninguém perceber. Apetece-me atirar-me para os braços de alguém, e desatar aos abraços e aos beijinhos. Apetece-me fazer presentes lindos para o Dia da Mãe e do Pai. Apetece-me não estar a escrever este texto... Porque não sei escrever... Apetece-me voltar. Apetece-me tanto...
domingo, 6 de abril de 2014
Porque sim...
Porque me fazes falta quando não vejo esses olhos a brilhar para mim. Porque me fazes falta quando não ouço essa tua voz doce e sensual. Porque me fazes falta quando não me dizes que sou uma toninha, e uma estúpida de todo o tamanho. Porque me fazes falta quando tens muito que fazer, e eu também. Porque me fazes falta quando eu só digo disparates e não estás lá para me mostrar isso. Porque me fazes falta quando preciso de um beijo, ou de um abraço no calor do momento. Porque me fazes falta naqueles dias de chuva. Porque me fazes falta também nos dias de sol. Porque me fazes falta para partilharmos tantas e tantas conversas sem sentido. Porque me fazes falta para preencher este bocadinho de coração. Porque me fazes falta até quando estás ao meu lado. Porque me fazes falta quando imagino o futuro. Porque me fazes falta. Porque sim. E porque é tão bom, que parece mentira.
Porque me fazes falta quando não vejo esses olhos a brilhar para mim. Porque me fazes falta quando não ouço essa tua voz doce e sensual. Porque me fazes falta quando não me dizes que sou uma toninha, e uma estúpida de todo o tamanho. Porque me fazes falta quando tens muito que fazer, e eu também. Porque me fazes falta quando eu só digo disparates e não estás lá para me mostrar isso. Porque me fazes falta quando preciso de um beijo, ou de um abraço no calor do momento. Porque me fazes falta naqueles dias de chuva. Porque me fazes falta também nos dias de sol. Porque me fazes falta para partilharmos tantas e tantas conversas sem sentido. Porque me fazes falta para preencher este bocadinho de coração. Porque me fazes falta até quando estás ao meu lado. Porque me fazes falta quando imagino o futuro. Porque me fazes falta. Porque sim. E porque é tão bom, que parece mentira.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Eu acredito...
Eu acredito que a vida tem um sentido, uma direção que está traçada há muito, muito tempo... Eu acredito que o vento corre nos dias de calor, eu acredito que o mar é azul para refletir a cor do céu, eu acredito que o sol não se esconde, apenas tem um acordo com a lua, pois ambos têm o direito de brilhar...
Eu acredito que posso ser feliz, um dia... Acredito que o coração é uma arma poderosa que pode ser usada contra nós ou a nosso favor... E acredito que é a sofrer que se aprende a crescer... Acredito na inocência de uma criança, invejo-a... Acredito que Deus está lá, mesmo que nem sempre o demonstre... Acredito que estará lá para mim... Acredito que os amigos são capazes de preencher os espaços vazios do nosso coração... Acredito que uma lágrima derramada é uma parte do nosso sentimento que é expulso do nosso corpo... Acredito que é possível acreditar! Acredito que depois de uma onda gigante, vem uma pequenina e bonita, onde podemos chapinhar, e dar gargalhadas de felicidade! Acredito que as coisas mudam, e que podem mudar para melhor...
Mas também acredito que é possível não se desistir de viver! É possível querer sempre mais, e melhor! É possível ser-se a mesma pessoa, sem o ser, efetivamente. É possível ser forte, e é possível conter as lágrimas num dia de tempestade! Basta acreditar! Basta sorrir, levantar a cabeça e andar para a frente! Basta querer! E eu acredito que quero! E eu quero acreditar! Preciso ser feliz... Preciso acreditar que o vou conseguir! Preciso seguir em frente... Eu preciso, desculpa!
Eu acredito que posso ser feliz, um dia... Acredito que o coração é uma arma poderosa que pode ser usada contra nós ou a nosso favor... E acredito que é a sofrer que se aprende a crescer... Acredito na inocência de uma criança, invejo-a... Acredito que Deus está lá, mesmo que nem sempre o demonstre... Acredito que estará lá para mim... Acredito que os amigos são capazes de preencher os espaços vazios do nosso coração... Acredito que uma lágrima derramada é uma parte do nosso sentimento que é expulso do nosso corpo... Acredito que é possível acreditar! Acredito que depois de uma onda gigante, vem uma pequenina e bonita, onde podemos chapinhar, e dar gargalhadas de felicidade! Acredito que as coisas mudam, e que podem mudar para melhor...
Mas também acredito que é possível não se desistir de viver! É possível querer sempre mais, e melhor! É possível ser-se a mesma pessoa, sem o ser, efetivamente. É possível ser forte, e é possível conter as lágrimas num dia de tempestade! Basta acreditar! Basta sorrir, levantar a cabeça e andar para a frente! Basta querer! E eu acredito que quero! E eu quero acreditar! Preciso ser feliz... Preciso acreditar que o vou conseguir! Preciso seguir em frente... Eu preciso, desculpa!
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Porque um dia...
Porque um dia olharei para trás e não te terei a estender-me a mão, a chamar-me nomes que só nós conhecemos e entendemos, a dar-me aquele abraço que eu tanto preciso e que me faz tanta falta, a passar-me um raspanete por qualquer coisa que fiz ou ainda nem fiz, a chorar comigo, a rir à gargalhada comigo, a precisares de mim e eu de ti, a vivermos aqueles nossos momentos, a lembrarmos tudo o que já passou, a desejar que mais dias nossos venham, a olhar para as estrelas debaixo de uma árvore, a dizer que sou ridícula, a passar um frio infernal no meio sabe-se lá de onde, a conversar durante horas sobre tudo o que nos vem à cabeça, a fazeres-me dizer coisas que nunca me lembrariam, a deixares-me chorar no teu ombro, a estar sentado/a à mesma mesa que eu ou no mesmo chão que eu naqueles nossos jantares, a chegares à minha beira e a chamares-me trenga, ou bunda, ou a tua pequenina, a partilhares comigo pequenos pedacinhos de ti, a sentares-te ao meu lado enroscado/a num cobertor a conversar ou até mesmo a olhar para a televisão e a pensar no que quer que seja, a estares ali para mim quando preciso de ti, a estares ali, simplesmente... Porque um dia olharei para trás e não vais estar... E porque eu vou querer que estejas... E porque nunca vou esquecer o que ficou... E porque farás sempre parte de tudo o que eu construí em mim... E porque eu gosto muuuuito de ti... E porque nós seremos sempre nós... E porque sim. Simplesmente porque sim. Para sempre <3
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Perdoa-me
Perdoa-me se não gosto de sair à noite e não me lembrar de nada no dia a seguir. Perdoa-me se não tomo porcarias que me destruam e se não fumo qualquer coisa de vez em quando... Perdoa-me se não uso roupas da moda ou estou sempre a fazer compras... Perdoa-me se não tenho coisas caras e se não dou valor à etiqueta em vez de à utilidade. Perdoa-me se não tenho gostos musicais como devia e gosto de ouvir música foleira de vez em quando... Perdoa-me se choro a ver filmes que me tocam no coração... Perdoa-me se sou inocente e não presto atenção à parte mais feia das pessoas... Perdoa-me se não quero ver que esta vida é uma merda e se continuo a sonhar com o mundo encantado da Disney... Perdoa-me se prefiro ver desenhos animados em vez de ver filmes de porrada ou de terror... Perdoa-me se eu prefiro deitar-me na relva a olhar para as estrelas à noite em vez de ir todo o dia para a praia de fio dental bronzear-me... Perdoa-me por ser gulosa e por não fazer dietas que só me deixam doente... Perdoa-me se dou demasiado valor às pessoas de quem gosto e se faço tudo por elas... Perdoa-me se um momento tem tanto significado para mim... Perdoa-me se gosto de me rir à gargalhada, de falar à labrega, de cantar no meio de um parque a meio da noite, se gosto de escorregar de cu por uma ravina abaixo a cantar que sou um Estrondo... Perdoa-me se sofro quando vejo uma criança, ou um velhinho, ou um animal passar fome, ou morrer, ou ser abandonado... Perdoa-me se me preocupo também com a minha felicidade... Perdoa-me se gosto de andar de pijama o dia todo, se não gosto de me maquilhar, se visto a primeira roupa que me aparecer no armário... Perdoa-me se prefiro ténis a saltos altos... Perdoa-me se gosto de correr pelo jardim quando o sistema de rega está ligado... Perdoa-me se não gosto de me pentear e se gosto de andar cheia de guedelhas... Perdoa-me se faço figuras ridículas e se toda a gente se ri de mim... Perdoa-me por me apetecer ir para a praia a meio da noite com um frio de rachar... Perdoa-me por não ter medo de gritar ao mundo que sou uma apaixonada pela minha família e pelos meus amigos... Perdoa-me por ficar emocionada com palavras... Perdoa-me por ser uma tona e por não dizer nada de jeito... Perdoa-me por ficar magoada quando me dizem algo que não gosto de ouvir... Perdoa-me por gostar de sentir tudo... Perdoa-me por fazer isso mesmo, sentir tudo quanto possa sentir... Perdoa-me por ser uma desorganizada em tudo... Perdoa-me por ser uma preguiçosa e por não me apetecer arrumar o meu quarto... Perdoa-me por gostar de praxe quando é suposto ser o maior inferno já inventado... Perdoa-me por querer lutar por aquilo a que tenho direito e aquilo que me faz sentido... Perdoa-me por gostar de sentir o sol a beijar-me a pele num dia de Inverno e a chuva no Verão... Perdoa-me se me apetece ser feliz... Perdoa-me por tudo isto! E perdoa-me, sobretudo, por não estar disposta a mudar por ti... Perdoa-me se gosto de ser assim... Mas a vida é assim mesmo, ridícula, não é?
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Pessoas vêm e vão
Eles são iguais a mim. Eles choram quando eu choro, eles riem quando eu rio. Eles partilham comigo máguas e risadas. Eles deitam-se comigo na areia da praia ou no chão de terra a olhar para as estrelas, a olhar para as folhas das árvores que se abanam ao sabor do vento. Eles estão sempre lá. E eu que pensava que não era possível, em tão pouco tempo, sentir tal coisa em relação a eles. E só posso agradecer. Pela surpresa de me surpreenderem a cada dia. Pelos almoços e pelos jantares deliciosos... Simplesmente por me ouvirem. Obrigada por me ouvirem. Obrigada por me entenderem. Obrigada! Devo-vos mais que uma vida! Devo-vos o prazer de ter, finalmente, conhecido a amizade. Porque não a teria conhecido de nenhuma outra forma. De nenhuma outra maneira eu teria chorado desesperadamente à vossa frente, ao ter-vos-ia aberto o coração. Se isso aconteceu, é porque isto é verdadeiro, amigos! É tão real que me dá vontade de chorar de tanta felicidade! Vocês fazem tanta coisa valer a pena, tanta coisa parecer maravilhosa! Obrigada pelas parvoíces que partilhámos todos os dias das 8h às 8h naquele espaço que é tão nosso. E obrigada pelo após. Obrigada por me mostrarem que vão estar sempre ali, sempre a olhar para mim com aquele olhar ternurento de quem me quer dar um abraço daqueles. Obrigada pelo frio desgraçado que tive o prazer de passar convosco em algumas noites tão mágicas. Obrigada por sermos uma família. Vocês não imaginam a falta que me fazem. Pessoas vêm e vão. Amigos ficam, para sempre! E prometam-me que isto nunca vai acabar. Prometam-me! <3
Subscrever:
Mensagens (Atom)





